É, dá realmente para dizer que o mercado do vinho em Campinas tem hoje outra dinâmica!
por: Bruno Vianna
Quem tem acompanhado o mundo do vinho em Campinas não tem dúvidas de que estamos no meio de uma tremenda revolução! No dia 19 de julho de 2002, enquanto assinávamos a ata de fundação da ABS-Campinas (Associação Brasileira de Sommeliers), sabíamos que nossa missão de divulgação da cultura do vinho seria árdua, pois a cidade respirava qualquer outra bebida, menos vinho... poucas lojas, nenhuma importadora de destaque, enfim um campo virgem de trabalho para um pequeno grupo de entusiastas.
Lojas de Vinho e Empórios
Um dos poucos paraísos do varejo de vinhos na cidade era a General Foods, loja do grande conhecedor Edmar Barros, que infelizmente, após sair do Cambuí, resolveu também sair do varejo de vinhos. Participaram ainda do evento de fundação: Empório Charmant (Jaraguá Shopping), Asti Vinhos, Empório Gabriela, Empório Michellutti (Galleria Shopping), Art du Vin, Empório San Diego, Mercado Local(Alphaville).
Progressivamente, respondendo ao interesse crescente da comunidade, os espaços começaram a ser ocupados, não só com cada vez mais lojas, mas também com a variedade crescente de rótulos, acompanhando o aumento das importações brasileiras: Empório D’Gustta, Empório Gabriela (que saiu do Cambuí, foi para os Shoppings Iguatemi e D. Pedro, mas acabou fechando), Le Petit Marché (Barão Geraldo), Empório San Pietro (Sousas), Casa das Índias (Vila Teixeira), Balcão de Bebidas (Vila Nova), Don Oliva (Shopping D. Pedro).
Importadoras
Se a situação do varejo estava tímida para o porte de Campinas, o atacado de vinhos era ainda mais distante. As representações das importadoras funcionavam através de São Paulo, para atender aos restaurantes e lojas. Observávamos o triste hábito nos restaurantes do ciclo vicioso do vinho: vende pouco, preços muito altos, que reduzem ainda mais o consumo e deixa o vinho, mal armazenado, estragar na prateleira; quando um desavisado resolvia pedir o vinho, estava oxidado ou a escolha se fazia pela coluna da direita, indo direto aos valores “palatáveis”, ou seja os vinhos de menor qualidade, que muito menos harmonizariam com o prato, proporcionando uma experiência não muito rica ao consumidor. Da próxima vez, quem sabe pediria uma cerveja ou tentaria outro restaurante...bem, os restaurantes ficam para um próximo tema.
O boom do vinho em Campinas atingiu as importadoras, que passaram a dar mais atenção direta à cidade. As grandes importadoras marcaram presença: Expand montou loja franqueada no Cambuí, com o entusiasmo do Leonardo Pavesi, que depois abriu outra loja em Ribeirão Preto e, mais recentemente, no Shopping Iguatemi. O canal para restaurantes da Expand é vinculado diretamente a São Paulo e tem recebido grande ânimo com o Gustavo; para empórios e lojas multimarcas, a Expand tem poucos rótulos disponíveis. É que decidiu concentrar suas ações mais no varejo, com lojas próprias na cidade de São Paulo e franquias no restante do Brasil. Comparável em tamanho com a Expand, a Mistral tem uma estratégia oposta, dedicando-se exclusivamente ao atacado e oferecendo todo seu vasto portfolio de vinhos a qualquer loja de varejo, despachando para todo o Brasil a partir de São Paulo. Mais recentemente, conta com uma representante local (Madalena), para atender às lojas e restaurantes.
A Grand Cru, importadora que iniciou unicamente com vinhos argentinos e de Bordeaux, teve um desenvolvimento vertiginoso no cenário brasileiro e firmou-se agora em Campinas com uma ampla e bela loja nas mãos empreendedoras do André. Um modelo inovador foi desenvolvido pela Tokay, da Vitória Zambrone. A loja representa quatro importadoras: Decanter, Zahil, Premium e Fasano, Com ênfase nas duas primeiras. Além da loja do Gramado Mall, conta agora com um excelente local no Cambuí, que funciona também como bistrô, bar a vin e tem recebido personalidades do mundo do vinho, trazidos pelas importadoras. A mais recente foi a simpática presença de Michel Drappier, prestigiado produtor de Champagne. Ao falar das personalidades do atacado do vinho em Campinas, lembramos imediatamente do Carlão (Carlos Barbosa), que representa nada menos do que sete importadoras, abastecendo grande parte do varejo campineiro: Casa Flora, Adega Alentejana, Reloco, Portus Cale-Vinhos Bacalhôa, Hannover, Vinoteca e Cadal. A dupla Silney/Walter também é sempre presente, representando a Qualimpor, Épice, Península, Best Wine, Idealfood, Primalinea, Moment, D’Olivino e Vinhos Marson. Já a dupla feminina Lina/Mari representa a Casa Valduga e a importadora Cantú. O Museu da Gula (Fred) distribui Chandon, Diageo, Pernod Ricard e Aurora.
O casal Ângela e Marcos, saiu do negócio de varejo (loja Art du Vin) para criar a importadora Wine Company, a primeira de Campinas e que vem se firmando com um rico portfolio proveniente de vários países. Já a importadora Dom Quirino, também estabelecida em Campinas, infelizmente acabou fechando.
Vinhos Brasileiros
A distribuição dos vinhos brasileiros, por incrível que pareça, é mais complexa que a dos importados. Enquanto uma importadora traz um grande número de vinícolas de vários países, os nacionais muitas vezes tem canais próprios, nem sempre locais, o que obriga as lojas a tratarem com um número muito grande de fornecedores. Alguns tem aproveitado os canais das importadoras, como é o caso da Lídio Carraro(com a Tokay), Casa Valduga (com a Cantú), Chandon (com Museu da Gula), Marson (Silney/Walter), etc. Têm distribuição própria a Miolo (Eduardo), Salton (Anselmo), Dal Pizzol (Oscar), Perini (Marcelo), etc.