Faça uma pergunta simples aos seus colegas de trabalho, de escola ou mesmo na família: qual a comida que você mais gosta?
por: Consultor Paulo Ferretti - http://www.lagargastronomia.com/
A infinidade de respostas que receberá pode comprovar uma suposição há muito dita: gosto não se discute.
Com mais cuidado, porém, certamente encontrará um número muito grande de pessoas que apontam o macarrão ou a pizza como “prato número um”. Hoje em dia a comida italiana é uma das mais apreciadas no Brasil e no mundo inteiro.
Mas não é certamente só de massa que os italianos vivem. Seria, aliás, um pecado simplificar a extensa e tradicionalíssima gastronomia italiana nessas duas famosas preparações.
A Itália à mesa é plural, como afirma o pesquisador e jornalista Alessandro Molinari Pradelli*. Tem identidade sim, mas é complexa e cheia de sabores e surpresas. Ao longo da península itálica, os diferentes climas, solos e relevos proporcionam matérias-primas únicas e muito distintas. Desde o Império Romano até os dias atuais, a região que chamamos hoje de Itália sofreu inúmeras influências dos mais variados povos. Houve períodos de fartura e também de crise. Todo este processo deixou marcas profundas na gastronomia italiana.
Para iniciar o delicioso percurso de descoberta da culinária italiana, sugere-se que o país seja primeiramente dividido em duas grandes regiões e mais uma terceira, que chamaremos de “zona de transição”. As regiões são: Sul e ilhas, Centro-norte e Norte.
O Sul da Itália e suas ilhas maiores (Sicília e Sardegna) caracterizam-se pela culinária mediterrânea, com forte presença do azeite de oliva, legumes e hortaliças, massa e vinho. As proteínas variam dependendo da localização. Obviamente a belíssima faixa litorânea do país é farta em peixes e frutos do mar. Nas regiões interioranas é comum o consumo de animais de criação como a ovelha, a cabra, o porco e eventualmente o gado bovino. As caças também são apreciadas principalmente no outono. A ilustre pizza origina-se da região sul, especificamente da província de Napoli. Também famosa é a mozzarella, queijo fresco e macio proveniente do leite de búfalas, criadas na região da Campânia.
A zona de transição é o centro-norte do país. As regiões da Umbria, Marche e da Toscana possuem características alimentares que mesclam a tradição do Sul e do Norte da península itálica. São regiões de belezas naturais, históricas, artísticas imensuráveis! A Toscana centraliza a atenção capitaneada pela cidade de Firenze e suas doces colinas cobertas de girassóis, oliveiras e videiras.
O vinho é um capítulo a parte na Itália inteira. É um país inteiramente coberto de vinhedos. Dos Alpes ao norte até as ilhas perdidas no Mediterrâneo, quase na África como Pantelleria, a Itália oferece vinhos de alta qualidade e muita tipicidade, rivalizando com a França como o primeiro país em volume de produção e também de consumo de vinho no mundo.
Seguindo a norte encontra-se a região da Emilia-Romagna que talvez concentre o maior número de produtos e elaborações gastronômicas de fama internacional. Presunto de Parma, vinho Lambrusco, mortadela de Bologna, queijo Parmiggiano-reggiano, aceto balsâmico de Modena... a lista não acaba!
Uma característica comum a todo norte é a utilização maior da manteiga, do arroz e de massas recheadas. Os embutidos e queijos nas diversas regiões setentrionais também são variados e de alta qualidade. Todos os tipos de vinhos possíveis são produzidos: brancos, de sobremesa, espumantes e tintos soberbos. O risotto é um dos mais famosos pratos do norte da Itália, assim como o bollito misto, o carpaccio, o panettone e o ossobucco.
Talvez o maior segredo da culinária italiana não esteja somente nas preparações gastronômicas, mas sim na forma que os italianos encaram a comida e o ato de comer. Alimentar-se vai além do fisiológico, requer tempo, boas companhias e prazer. Foi assim que surgiu na Itália, na década de oitenta, o movimento Slow Food, que prega o retorno a valores simples, mas ricos e importantes como se alimentar de produtos saudáveis, frescos, com tempo para desfrutar o alimento e as companhias em torno da mesa. O movimento hoje é mundial. Mas essa é uma história para outra ocasião.
* Alessandro Molinari Pradelli: jornalista italiano especializado em gastronomia e cultura alimentar italiana. Sua última publicação foi uma série sobre as cozinhas regionais italianas chamada Italia in Tavola, ainda não traduzido em português.
mt bacana adorei alias deu uma fome agora da licença q eu vo p uma pizzaria imediatamente mts bjs xau!!!!!!!!!!!! !!