Cozinha e sazonalidade

Será que aprenderemos a cozinhar com as estações?

por: Consultor Paulo Ferretti - http://www.lagargastronomia.com/

Na profusão caótica de tipos, conceitos e modas gastronômicas atuais é impossível falar que o brasileiro (e mais especificamente o paulista) tem um hábito uniforme de alimentação. O arroz e feijão já não são mais exclusividades de nossas mesas, até porque nem mesmo nos alimentamos nas “nossas” mesas e sim nas praças de alimentação, nos self-services, bandejões, restaurantes e ambulantes.
A variedade é bem-vinda e permite que cada um escolha o que realmente quer comer. Mas onde fica a qualidade alimentar? Não se trata somente de falar de higiene de produtos e de manipulação. Nem somente de calorias. O fato é: de onde vem sua comida?

Antigamente as feiras e os mercados eram abastecidos pelos produtores regionais. Alimento fresco que seguia as estações do ano. O ciclo de colheitas ditava a dieta das pessoas. O progresso arrastou pra dentro dos supermercados infinitos produtos e consumidores. Tudo é fácil e rápido (mas nem sempre barato e saudável). A velocidade da fast life nos empurrou ao fast food. É realidade e veio para ficar.

Mas será que temos que viver aprisionados a esses maus-hábitos? Alguns movimentos vêm chamando atenção. O crescimento do interesse e consumo de alimentos orgânicos é sério e bem representado no Estado de São Paulo. Os chefes de cozinha que não se satisfazem em permanecer dentro de suas panelas também vêm buscando cada vez mais os produtos sazonais. É garantia de produtos mais frescos e com bom custo. E ainda colaboramos em diminuir os enormes gastos de deslocamento de produtos fora de estação que viajam milhares de quilômetros para alcançarem nossas casas. É a economia consciente de sustentabilidade e cidadania.

Na Europa e no Japão a sazonalidade de alimentos faz parte da cultura alimentar dos cidadãos, Alimentos frescos e leves na primavera e verão. O outono tradicionalmente remete à caças e cogumelos e inverno traz alimentos calóricos e de longo armazenamento.

As festas do milho verde no interior do Estado acompanham a colheita. O circuito das frutas também promove a sazonalidade. O Festival da Alcachofra em São Roque é outro exemplo bem sucedido que une a colheita à festas culturais e gastronomia. E de forma mais caseira, quem não espera o momento da jaboticabeira se presentear repleta de deliciosos pontinhos pretos em seu tronco para ser escalada e devorada pela família inteira?

Resta saber se teremos a sensibilidade de ter atenção ao ciclo agrícola e aproveitar o que a Terra tem de melhor a nos dar.

Comentários  

 
0 #2 Duarte Lourenço 15-06-2010 16:00
Olá, eu chamo-me Duarte sou Português, estudante da Escola Superior de Hotelaria e Turismo de Estoril, PORTUGAL, neste momento estou em França, mais propriamente em Paris finalisando uma temporada de "Erasmos"(programa de troca de escolas na Europa), num dos ditos melhores restaurantes de FRANÇA, (por respeito não posso dizer o nome do restaurante). Bem a mensagem que eu gostaria de te passar é que já nem na Europa se toma muita atenção a sazonalidade dos alimentos, eu por exemplo não começo a época de muitos alimentos e estou seguro que muitos meus compatriotas europeus também não sabem, a verdade é que a noção de sazonalidade cada vez mais está a desaparecer, até mesmo nos ditos grandes restaurantes de estrelas michelin (***), as pessoas estão acriar habitos de comforto "artificiais" que cada vez vão ser mais díficeis de retroceder... os cíclos agrícolas são muito importantes e à que respeitalos, para o bem de todos nós...

um grande abraço aos amantes da gastronomia,
...que as coisas não percão a sua razão de ser...
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0 #1 João batista endler 25-08-2008 11:43
por favor estou fazendo um trabalho de conclusao (tec em contabilidade) e gostaria de se possivel me enviassem mais artigos sobre sazonalidade na cozinha desde ja agradeço um abraço
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