Não vou entrar no mérito de concordar ou discordar deste tipo de ação, mas vou colocar alguns pontos que entendo importantes para serem discutidos.
Muitos colegas me disseram que inicialmente o movimento caiu, que as vendas diminuíram e que as coisas estavam difíceis.
Sei que isso representa uma boa parte do lucro, pois nas bebidas temos uma boa margem e que em média chegou a representar algo como 30% de decréscimo de vendas.
Todavia pode-se olhar para uma situação sobre diferentes aspectos e neste caso vejo como pertinente olharmos sob a ótica do copo meio vazio ou meio cheio.
Sob a perspectiva do meio vazio temos a diminuição de vendas e resulados, e sob a perspectiva do meio cheio?
Vamos olhar algumas estatísticas, a Folha de São Paulo divulgou que em dois meses o número de vítimas de acidentes de trânsito caiu em 30%, somados aos 72% de aprovação popular em relação à estas medidas, divulgadas pelo Estado de São Paulo pode-se ter um panorama do que isso representa em número de vidas.
Ainda nesta pesquisa do Estado de São Paulo, divulgada no dia 4 de Julho, ao perguntar quais seriam os hábitos dos consumidores em relação à bebidas estes responderam que 60% pretende cumprir a lei sempre, outras 16% na maioria das vezes, assim temos que 76% pretendem respeitar a lei.
Se fizermos uma comparação com as soluções encontradas por pessoas que disseram que irão beber pode-se ver que 40% irá pedir a ajuda de um amigo, 20,8% usarão taxi, 18,5% transporte coletivo e somente 1,5% disse que iria beber em casa.
Portanto pode-se perceber claramente que esta medida fez com que aquelas pessoas que bebiam e dirigiam passassem a ter um outro olhar sobre suas ações, desta forma cria-se, mesmo que sob a necessidade da implantação de uma legislação, uma consciência cívica diferente sobre o ato de beber e dirigir.
Aqui podemos olhar sob a ótica do copo meio cheio, pois grande parte destas pessoas não irá deixar de beber, mas sim irá procurar uma alternativa para chegar em casa sem que faça parte de estatísticas e como diz uma campanha veiculada na mídia: “No trânsito há dois tipos de pessoas, as que matam e as que morrem. Em qual dos grupos você vai estar?” nós estamos começando e ver a dimensão destas pequenas decisões.
Se olharmos do ponto de vista de gestão o que temos visto são soluções muito interessantes para que seja cumprida esta lei 11.705 que altera o código de trânsito, como colocar à disposição um motorista para levar os clientes até sua casa, oferecer um convêncio com táxis por valores menores, oferecer vans que levam e trazem clientes com hora marcada, oferecer ao “amigo sóbrio” alguns benefícios (e as soluções aqui foram as mais variadas, como dar refrigerantes/sucos de graça, oferecer um almoço em outro dia, entre outras).
Sem dúvida alguns espertos que querem burlar a lei e querem um benefício próprio a curto prazo criam sistemas de informação para dar dicas a seus clientes de onde estão as “blitzes” e informam quais são os caminhos alternativos para desviar delas, como informou O Estado de São Paulo em 12 de Outubro e que para coibir este tipo de ação a polícia vai montar esquemas alternativos de vigilância.
O interessante é que pessoas esclarecidas, cultas e preparadas quando saem do país elogiam a organização, a limpeza e o senso de civilidade dos outros países, mas que não concordam com a lei seca pois isso vai tirá-las do direito de tomar sua caipirinha, ou seu whisky.
Porém esquecem-se que este direito impede que o meu filho (que em alguns anos vai sair para baladas e se Deus quiser e me ajudar a exercer minha função de pai corretamente não irá beber e dirigir) volte em segurança para casa. Esquecem-se também que naqueles países com os quais se encantaram com a organização e respeito cívico tem regras, por vezes mais rígidas que as nossas, que norteiam as ações daqueles povos e que os fizeram entender as consequencias de suas ações.
Desta forma, são exemplos como os primeiros que mostram criatividade e senso de civilidade que nos deixam esperançosos de deixar um país mais digno para nossos filhos que me desculpem meus colegas do álcool e direção.
P.S. Só um alerta que uma aluna me deu enquanto discutíamos este assunto em uma aula quando me disse que para bebidas tem o bafômetro, mas que para uma série de drogas modernas e químicas que alteram, e muito, as percepções de quem as consome ainda nào existe nenhum controle. Fica aqui uma lição e um alerta e uma reflexão.

Por: Marcelo Traldi Fonseca – 12 de Outubro de 2008 - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.