Mesa para quatro

por Alexandre Barbosa e Herbert Gauss
 
“Foi com muita alegria que começamos a nossa primeira resenha, primeira de muitas. Vamos comentar e indicar lugares onde a comida, aliada ao bom serviço, resulte em mais uma boa opção na cidade de São Paulo que, sem dúvida, é um centro mundial da gastronomia. Respeitamos e gostamos dos grandes restaurantes. Porém, é uma tendência mundial a corrida aos botecos, bistrôs, cantinas, bares, onde além de boa comida, encontramos jovens chefs e proprietários apaixonados pela arte de cozinhar e receber, transformando lugares modestos em lugares especiais.”

Essa é a principal característica do Bistrô Crepe de Paris. Nessa simpática casa, pode-se exercitar todos os nossos sentidos. Ao fundo de uma viela saindo da Rua Augusta, encontramos um pedacinho de Paris. Das mesas externas ao salão, chegando a um amplo terraço, tudo faz pensar que os próximos momentos podem ser bem agradáveis. Ao sentar, a primeira e boa impressão: o garçom gentilmente nos pergunta se queremos o couvert. Isso mesmo: na maioria dos lugares, o couvert é impingido e, quando por qualquer motivo não o queremos, somos olhados com ar de pouco caso.

A segunda grande surpresa: em uma carta de vinhos curta, encontramos bons rótulos que podem ser servidos em decânteres de 250ml, o que permite um casal tomar dois ou mais vinhos em uma mesma refeição.

O que comer no Bistrô  comandado pelo casal Adriana e Pierre Murcia? Além de crepes, é  claro, foundies, cacletes e um menu que passa por clássicos como o cassoulet, confit e magret acrescido de algumas opções de massas, crustáceos e peixes.

Como quisermos ter uma idéia geral do cardápio, não pegamos leve. De entrada, um crepe e uma raclete; no principal, quatro pratos: um peixe, uma massa com camarão, um confit e um prato comemorativo do ano da França bi Brasil, um magret recheado com foie gras. Nada decepcionou.

A massa do crepe poderia ser ligeiramente mais leve. A raclete estava muito boa, mas o peixe foi o melhor dos pratos: um Namorado com molho de champanhe e purê de mandioquinha. O Confit de pato era acompanhado de fettuccine ao pesto. Pato e massa estavam gostosos, porém a nosso ver, não fazem a melhor combinação. Sugerimos uma mudança no acompanhamento do pato que, por sinal, é confitado no próprio restaurante.

A massa com camarão não comprometeu, mas acreditamos haver melhores pratos no cardápio. O prato comemorativo merece uma atenção especial: consideramos ser um prato para iniciados e veteranos em gastronomia. Estava muito bem acompanhado de frutas tropicais caramelizadas. O magret é servido morno para que o recheio de froi gras não perca a consistência. É, sem súvida, uma opção bem típica. As sobremesas seguem a linha: Tarte tartin, creme brulée, crepes doces, foundie de chocolate ou frutas.  

Ao final, veio à  mesa o proprietário Pierre Murcia, que fala um bom português, com sotaque carregado. Este é o seu primeiro bistrô. Proprietário de uma franquia de crepes, ele restringiu a rede poucas lojas de shoppings para poder manter a qualidade e também se dedicar ao seu sonho, que sempre foi ter um restaurante.

Sem dúvida, consideramos o Bistrô Crepe de Paris uma ótima opção para aqueles que querem sentir o gostinho da França e não gastar muito.

Alexandre Barbosa e Herbert Gauss- cirurgiões plástico e gourmets

PS:Comer é uma necessidade, comer bem é a alegria da alma.
 
 

Samantha Feehily

Assessora de Imprensa - Jornalista

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