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Vinhos em taça
23 de junho de 2009
Esta é uma grande invenção, que proporciona um acesso muito maior ao maravilhoso mundo do vinho. Agora já é possível encontrar vinhos servidos em taças em vários lugares, aqui mesmo em Campinas.

por:  Bruno Vianna
Presidente da ABS-Campinas
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A ideia está em alta em diversos países e chegou também ao Brasil. Acabei de chegar do Japão, onde presenciei a inauguração de mais um grande Wine Bar, em que as pessoas têm a possibilidade de provar diversos vinhos, de maneira descontraída, sem ter que consumir uma garrafa inteira. Os quatro estabelecimentos do tipo que conheci estavam totalmente lotados! Happy hour após o trabalho, muito apreciado pelos japoneses, ou uma noite com os amigos, atraindo muitos grupos de jovens, a cultura nipônica do vinho vem aumentando nitidamente. Tomei também um bom Chardonnay japonês: Château Mercian Niitsuru Chardonnay 2007!

No aeroporto de Roma, em meio ao agitado corre-corre das conexões de vôos, a Vinícola Frescobaldi, entre as tops da Toscana, montou um quiosque com várias opções de antepastos, saladas e pratos frios à base de frutos do mar, onde são servidos em taças os vinhos da vinícola. É uma grande opção para fugir dos fast foods e ter uma refeição leve, saudável, rápida e agradável, já que cada vez menos entrar em um avião traz uma perspectiva de boa comida.

No ano passado, conhecemos, na Cidade do Cabo, África do Sul, o restaurante Belthasar, com espetacular cozinha muito premiada, oferecendo nada menos do que 198 rótulos de vinhos vendidos em taças, o que é quase inimaginável para um restaurante. A primeira tentativa foi inútil, pois a possibilidade de ser atendido sem reserva é remota. Na segunda, fomos recompensados! Ali, os rótulos estão concentrados nos vinhos do próprio país, que é o que queríamos conhecer. Não queríamos pedir uma garrafa do início ao fim da refeição e sim degustar um grande número de vinhos locais diferentes, objetivo totalmente atingido. Melhor ainda, acompanhado por uma seleção de pratos de primeira qualidade!

A moda vale tanto para lojas de vinhos como para restaurantes. Nas lojas, a ideia funciona muito bem e ajuda nas vendas, pois o consumidor pode experimentar vários tipos de vinhos e decidir levar umas garrafas daqueles que mais o impressionaram. É o caso, por exemplo, da Lavínia, uma belíssima loja de vinhos situada no Boulevard de la Madeleine, em Paris, onde existe no piso superior um Wine Bar tipo self service. Compram-se créditos num cartão magnético, que podem ser consumidos em doses de diferentes volumes dos vinhos que quiser. Que tal tomar uma dose de um Château Mouton Rotschild, já que a garrafa pode extrapolar seu orçamento do dia? Foi o que me aconteceu na última visita, realmente irresistível... A Lavínia, hoje um grupo de lojas, na verdade surgiu na Espanha, pela iniciativa de dois franceses, sendo que um deles trabalhava na l’Óreal, na Espanha. A mesma máquina utilizada lá com o cartão já está num dos Wine Bars de Tóquio, com 80 vinhos em taça e três dosagens à escolha.

Em São Paulo, a Enoteca Decanter, da importadora do mesmo nome, apresenta, desde o ano passado, 50 tipos de vinhos servidos em taças. Em Campinas, em menores proporções, já é possível degustar vinhos em taças em alguns restaurantes (ex. La Pasta Gialla - Cambuí) e lojas (ex. Tokay - Cambuí e Wine Choice - Shopping Iguatemi) e a tendência é aumentar a oferta, antigamente restrita ao famoso “vinho da casa”, de qualidade em geral sofrível. Agora, rótulos comerciais variados passaram a ser excelentes opções.

Conservação

É importante atentar para um detalhe importante na hora de consumir um vinho em taça: a facilidade que o vinho tem para degradar sua qualidade quando a garrafa é aberta e ele fica exposto ao contato com o oxigênio do ar. A duração exata do vinho aberto depende do tipo de vinho, mas em geral não passa do dia seguinte sem perder sua melhor forma. As máquinas automáticas preenchem a garrafa com um gás inerte, como o nitrogênio, evitando o contato do ar e prolongando a vida útil do vinho por cerca de duas ou três semanas. Acontece que estas máquinas são caríssimas e a geração anterior de máquinas não tem boa qualidade, acabando por ser abandonada pelos comerciantes, que caem no velho conhecido Vacu-vin, acessório indispensável do enófilo para as sobras de vinhos em casa. Consiste de uma simples bombinha manual de vácuo, boa e barata, que retira o ar da garrafa, através de uma rolha de borracha, e aumenta a vida do vinho para alguns dias, principalmente se resfriado.

Outra opção interessante para as pequenas dosagens de vinhos são as garrafas pequenas (375 e 187ml), cujo número de rótulos vem aumentando.


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